terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

A Caminhar por… Castro Laboreiro

Esta seria a nossa ultima saída por Portugal antes de nos concentrarmos a tempo inteiro no planeamento e preparação da nossa grande viagem pela América do Sul. Mas não seria um passeio qualquer, fim de semana prolongadíssimo de 4 dias por Castro Laboreiro e arredores, lugar por onde nunca tínhamos passado antes.

O local escolhido para nos sedearmos foi a Aveleira, de onde partiríamos todos os dias até aos locais de início de percurso.

2012-02-18 Trilho Megalitismo do Planalto de Castro Laboreiro

Extensão (aprox.): 13,1 km, Duração: 4h30, Dificuldade: Fácil, Tipo de Percurso: Ida e Volta

“O território do Parque Nacional da Peneda-Gerês foi objecto de ocupação humana desde a Pré história recente. Testemunho disso são os vestígios megalíticos espalhados um pouco por todo o território desta área protegida, dos quais é exemplo carismático a Necrópole Megalítica do Planalto de Castro Laboreiro.
Esta necrópole, uma das maiores da Península Ibérica, implanta-se numa importante unidade geomorfológica, onde o património cultural convive harmoniosamente com o património natural, o Planalto de Castro Laboreiro.
Os monumentos que constituem este território ritual, monumentos funerários megalíticos, espalham-se por uma área de cerca de 50km2, na fronteira Nordeste do Parque Nacional com a Galiza. É o conjunto megalítico mais setentrional do nosso país e o que se encontra a cotas mais elevadas. Este percurso conduz o visitante por vários núcleos megalíticos desta necrópole, a partir do aglomerado populacional que lhe é mais próximo, a Branda do Rodeiro.

Monumentos Megalíticos do Alto da Mansão do Guerreiro: Este núcleo megalítico é constituído por nove monumentos, sendo a maioria bastante visível. Algumas mamoas deste conjunto estão nas imediações do nosso caminho e outras mais distantes. Estão, de um modo geral, em boas condições de conservação e destacam-se pelas implantações topográficas que apresentam, com grandes horizontes de visibilidade.

Monumentos Megalíticos do Alto do Buscal: Os monumentos megalíticos são incontornáveis neste percurso. Todo o caminho nos transporta para a pré-história. Mais um grupo, as Mamoas do Alto do Buscal. Estas são, de um modo genérico, mais discretas, mas não menos importantes do que as do Alto da Mansão do Guerreiro. Lamentavelmente, também não se encontram tão bem conservadas. A mamoa Alto do Buscal 4 encontra-se parcialmente cortada pelo caminho florestal do planalto, situação ocorrida num tempo em que a existência e importância destes monumentos não eram do conhecimento comum.

Monumentos Megalíticos de Lamas do Rego: Segue-se um outro grupo de mamoas, as Mamoas de Lamas do Rego. Neste grupo podemos observar seis monumentos razoavelmente bem conservados nas imediações do caminho florestal. As mamoas 1 e 2 deste grupo, as primeiras que
identificamos do lado direito do caminho, são monumentos grandes, com cerca de 18 metros de diâmetro, nos quais a depressão central não apresenta grande expressividade, o que parece indicar um excelente estado de conservação.

Monumentos Megalíticos do Alto da Portela do Pau: O Alto da Portela do Pau é o único núcleo megalítico desta extensa necrópole que foi objecto de um projecto de investigação arqueológica entre 1992 e 1994. Neste grupo podemos observar vários monumentos megalíticos, dos quais se destacam: a chamada Mota Grande, a maior e mais visível mamoa do planalto, já em território galego; o monumento Alto da Portela do Pau 5, um monumento já intervencionado por uma equipa de arqueólogos nos anos 90, que pôs a descoberto a estrutura que hoje observamos, bem como as gravuras que o ornamentam; o Menir do Alto da Portela do Pau, um elemento granítico tombado em terras galegas, e que parece ser um menir, pelo seu formato e contexto em que se insere. No âmbito do projecto de investigação arqueológica um dos monumentos megalíticos que melhores resultados forneceu sobre o processo construtivo deste tipo de monumentos foi o monumento identificado com o número 5, agora muzealizado. É um dólmen de câmara simples, aberta, de planta poligonal, subcircular, cujos esteios apresentam uma altura que varia entre os 2,35m e os 2,40m. Uma das particularidades deste monumento é a ostentação de motivos gravados nos seus esteios. Os motivos são essencialmente geométricos (ziguezagues e ondulados). As datações obtidas colocam este megálito na passagem do Vº para o IVº milénio a.C.” Fonte: Panfleto oficial do percurso

Depois da longa viagem e garantia da nossa acomodação já eram quase 12:00 e como tal não tínhamos tempo para um grande passeio antes que escurecesse. Seguimos então da Branda da Aveleira até Rodeiro onde demos início ao percurso com o limite de caminharmos até às 16:00 num sentido, hora que definiria o local de retorno.

Em todo o caso tínhamos tempo suficiente para fazer os 13km previstos, no entanto, ainda em Rodeiros andámos um pouco às voltas em busca do caminho certo, saindo um pouco mais a Norte do que o previsto, por Antões. O mesmo passou na localização das várias mamoas mas não foi impeditivo de chegarmos ao final do trilho, já na fronteira com Espanha. No final tínhamos percorrido 14,1km.

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Burrito (esq.), Mamoa (centro e dir.)
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Mamoa (esq.) e Paisagem (dir.)

O percurso não teve grande interesse paisagístico, sendo quase todos os pontos de interesse as várias mamoas, nem sempre fáceis de distinguir entre outras elevações no terreno, e os marcos de fronteira com Espanha. Efetuámos ou tentámos efetuar o percurso marcado e descrito no panfleto o que não foi muito fácil nem permitiu ver metade dos vestígios arqueológicos que se anuncia, no entanto se pretender conseguir visitar mais algumas mamoas, nomeadamente as do Alto da Mansão do Guerreiro, aconselhamos seguir este (http://pt.wikiloc.com/wikiloc/view.do?id=2603976)

2012-02-19 Trilho Brandeiro – Serra da Peneda

Extensão (aprox.): 14 km, Duração: 4h30, Dificuldade: Fácil, Tipo de Percurso: Circular

“O Trilho do Brandeiro é um percurso pedestre denominado de Pequena Rota (PR), cuja marcação e sinalização cumprem as directrizes internacionais. Este percurso localiza-se no extremo norte da Serra da Peneda, no planalto conhecido pela Chã do Alto de Corisco, do concelho de Melgaço e envolve parte do território da freguesia da Gave.
Partindo da sede do concelho, dirija-se à Porta do Parque Nacional da Peneda-Gerês de Lamas de Mouro, siga a estrada em direcção a S. Bento do Cando e passados cerca de 30 km encontra-se a Branda da Aveleira.
Iniciamos este percurso de montanha junto ao pequeno nicho que se encontra junto à estrada. Atravessamos a estrada asfaltada para seguirmos um caminho que nos leva a percorrer a vasta chã. Daqui podemos observar as extensas serras de Portugal e da Galiza e o amplo vale do Minho, cujo rio foi esculpindo e desenhando o relevo desta região de montanha. O caminho pouco-e-pouco vai dando lugar a um pequeno trilho, um caminho de pé-posto, aberto na densa vegetação de baixo porte, constituída por urzes (Eriça sp.) e carqueja (Genista tidentatum). Gradualmente vamos perdendo altitude e, o trilho, dá lugar a um lajeado – um carreteiro – trata-se de um caminho que permitia o acesso a carros puxados por bois. No final do “carreteiro” seguimos o caminho florestal que nos leva à branda de cultivo de Covelo, onde podemos apreciar numa paisagem de grande beleza, um conjunto de típicas edificações de montanha harmoniosamente enquadradas.
Visitada esta pitoresca branda, continuamos por um caminho lajeado que nos conduzirá por entre um bosque de folhosas, onde abundam exemplares de carvalho-alvarinho (Quercus robur), carvalho-negral (Quercus pirenayca), castanheiro (Castanea sativa) e de vidoeiro (Betula alba). O carreteiro desemboca num caminho florestal que mantendo a cota, permitirá alcançarmos a Branda de Mourim. Esta branda de cultivo situa-se a cerca de 950 metros de altitude, entre duas ravinas, num relevo muito acidentado, onde os campos de cultivo em socalco, resultam de um árduo trabalho de conquista de terra à montanha, durante longos séculos. Daqui, continuaremos o percurso por um caminho florestal que nos levará a vencer os fortes declives que nos separam do Alto do Fojo. Depois de algum tempo, alcançamos o Chã do Alto do Corisco, para descermos até à estrada asfaltada, onde viramos à direita, indo ao encontro onde teve início este trilho de montanha.” Fonte: Panfleto oficial do percurso


(não gravamos na totalidade o percurso, no entanto esta versão corresponde ao que fizemos, exceptuando um pequeno desvio que fizemos à Branda de Mourim e como tal não haveria necessidade de fazer upload de uma cópia)

Não foi preciso deslocar-nos muito da Branda da Aveleira, onde passámos a noite, para dar início a este percurso junto à Capela da Nossa Senhora da Guia. O trilho foi realizado no sentido dos ponteiros do relógio, tendo passado primeiro pela Chã da Lama onde existiam várias vacas mortas e depois as turbinas eólicas da Fonte Seca, de onde se começava a ver ao fundo a Branda do Covelo, onde nos dirigimos. De Covelo seguimos o trilho, desviando-nos deste para chegar a Mourim. Nestas duas Brandas, bonitas construções de pedra com destaque para os esbeltos muros e as singulares entradas das várias casas.

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Serra da Peneda (esq.) e Covelo (centro e dir.)
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Muro em Covelo (esq.) Parede de casa em Covelo (centro esq.), Entrada de casa em Mourim (centro dir.) e Igreja de Mourim (dir.)

2012-02-20 PR3 Trilho Castrejo

Extensão (aprox.): 17 km, Duração: 9h00, Dificuldade: Média/Elevada, Tipo de Percurso: Circular

Brandas e Inverneiras
O PR “Trilho Castrejo” decorre pelos antigos caminho que ligavam as Brandas às Inverneiras e no caso de estes estarem cobertos pelo asfalto, decorre por caminhos alternativos. São caminhos que remontam à idade média dos quais restam algumas pedras de calçada, pontes de arco, antigas. São caminhos muito simpáticos que às vezes atravessam frondosos bosques de carvalho alvarinho matos rasteiros, floridos, ribeiros e regatos de água cristalina que regam as pastagens cercadas por muros de pedra solta. Os povos castrejos têm duas aldeias, isto é, cada família tem duas casas, uma na Inverneira e outra na Branda.

O que é a Inverneira?
É uma aldeia onde passam o Inverno; fica situada a mais baixa altitude que a Branda, em vales abrigados…
Normalmente descem da branda no princípio de Dezembro – a matança do porco já é feita na Inverneira – permanecendo até Março. A Páscoa, normalmente já é passada na Branda.
Nomes de Inverneiras do “Trilho Castrejo”: Barreiro, Assureira, Curveira, Bico, Cainheiras e Varziela.

O que é uma Branda?
É a aldeia de altitude, onde fazem as sementeiras, onde passam a maior parte do ano. Dizem que as águas são melhores, são zonas frescas no Verão, as pastagens são mais verdes…
Semeia-se centeio e a batata. Os bovinos de raça Barrosã causam a nossa admiração. Os rebanhos são de cabras guardadas por cães castro laboreiro, raça autoctone identificada e estudada pela elevada figura do P. Aníbal Rodrigues, pároco de Castro.
Algumas Brandas por onde passa o nosso PR: Seara, Padrosouro e Eiras.

Na mudança os castrejos levam todos os seus animais “até o gato”, antigamente até a mobília. Agora já não é assim, visto que as duas casa estão condignamente equipadas.” Fonte: Panfleto oficial do percurso

Foi um trilho extenso mas bastante interessante, principalmente pelas formas rochosas moldadas pelo tempo, cronológico e meteorológico. Rochas fazendo equilibrismo sobre outras, o bico do Patelo. Também pelas Brandas e Inverneiras, as várias e bonitas pontes de pedra que utilizámos para cruzar os rios e corgas e o Castelo de Castro de Laboreiro ao fundo, perfeitamente encaixado na rocha.

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Gralha (esq.) e Garranos (dir.)
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Penedos (esq.) e Muros (dir.)
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Cavalo de Pedra (esq.) e Ponte (dir.)
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Ponte da Assureira sobre o Rio Castro Laboreiro
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Bico do Patelo visto de Curveira (esq.), Curveira (centro esq. e centro dir.) e Marca (dir.)
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Castelo de Castro Laboreiro (esq.) e Bico do Patelo (dir.)
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Garranos (esq.) e Serra da Peneda (dir.)

No final tínhamos feito 18,5km, um pouco mais que o descrito no panfleto do trilho, no entanto não nos podemos queixar da marcação do trilho, apenas talvez exagerada em algumas zonas…

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Será que muitas marcas nunca são demais?

2012-02-21 Trilho Interpretativo de Lamas de Mouro e Castelo de Castro Laboreiro

Depois de um dia mais duro o último dia por Castro Laboreiro foi bastante mais relaxado com o pequeno trilho interpretativo de Lamas de Mouro e uma visita ao Castelo de Castro Laboreiro.

Extensão (aprox.): 4,5 km, Duração: 2h00, Dificuldade: Fácil, Tipo de Percurso: Circular

“Este Trilho Interpretativo é um percurso pedestre circular que se desenvolve ao longo dos principais lugares da freguesia de Lamas de Mouro (Melgaço), em plena entrada da mais antiga e importante área protegida do nosso país – o Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG).
O percurso permite a compreensão da estrutura territorial desta localidade, localizada nos interstícios da majestosa serra da Peneda, bem como o reconhecimento dos seus principais valores naturais, culturais e paisagísticos.
As marcas da ocupação humana estão ainda bem presentes, destacando-se a pitoresca ponte, o histórico moinho de água, o forno de raiz comunitária e a secular igreja de estilo românico.
No coração deste Trilho surge a Porta de Lamas de Mouro. Trata-se de uma estrutura da Câmara Municipal de Melgaço vocacionada para a recepção, recreio, informação e educação ambiental dos visitantes do PNPG.
Para conhecer um pouco melhor a história bem como o uso e a ocupação espacial desta multifacetada área serrana é praticamente obrigatória a visita, já na recta final do Trilho, à exposição “Ordenamento do Território” patente na Oficina Temática da Porta de Lamas de Mouro.” Fonte: Panfleto oficial do Trilho, promovido por Porta de Lamas de Mouro

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Portas do Parque Nacional Peneda Gerês (esq.), Ponte sobre o rio Mouro (centro) e Vaca barrosã (dir.)
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Cactos (esq.), Relógio solar (centro) e Lamas de Mouro (dir.)

Para terminar a viagem uma visita ao Castelo de Casto Laboreiro, uma construção impressionante em pedra, em muitos casos esculpida diretamente da rocha mãe, que correspondeu a mais 2km de caminhada.

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Castelo de Castro Laboreiro
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Vista do Castelo (esq.), Cascatas (centro) e Escadas esculpidas na rocha (dir.)

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