terça-feira, 8 de março de 2016

Pico: PR4PIC – Subida ao Pico

Com pouco mais de dois meses passados deste novo ano de 2016, foram também já duas as subidas ao ponto mais alto de Portugal, juntando o útil (há que treinar para iniciar a nossa nova aventura como Guias de Montanha e parceiros da empresa de animação turística Épico) ao agradável (já passavam vários meses desde a última subida e as saudades faziam-se sentir).

Aproveitando o tempo favorável e a Lua quase cheia do dia 20 de Fevereiro de 2016, combinámos uma subida, acompanhando as nossas voluntárias francesas, no seu último dia pela nossa ilha.

O que poderia ser apenas mais uma subida tornou-se algo memorável. Começando a subir pelas 3:30 da manhã, a Lua foi a lanterna que nos iluminou montanha acima. Duas horas depois a lua pôs-se no horizonte, não sem antes passar de branca a amarela e depois a laranja forte, parecendo estar muito maior. Este acontecimento foi motivo de paragem obrigatória para ser contemplado, que serviu também para reposição de fluidos e energia.

A meia hora seguinte foi feita com recurso a lanternas, mas rapidamente o Sol começou a clarear o céu. Fomos diretos ao cume para ver o nascer do sol, com pequeno almoço reforçado.

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Lajes
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A sombra…
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Madalena
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Lagoa do Capitão (esq.) e Cratera (dir.)

Duas semanas depois, nova subida, nova retribuição pelo trabalho de três dos nossos voluntários, da Grécia e Brasil, mas também com a presença de mais alguns amigos e visitantes.

Desta vez decorreu tudo à luz do dia, com algumas nuvens muito abaixo de nós, que não nos deixaram visualizar muito das ilhas vizinhas, mas que pareciam formar um mar branco de algodão.

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Atingindo o cume
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Mar de nuvens
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São Roque (esq.) e Horta (dir.)

sábado, 21 de novembro de 2015

Pico: Trilho Arrife-Santa Cruz

Já passavam mais de três meses desde o último passeio organizado pelo município da Lajes que tínhamos participado, embora não tenhamos estado parados no que toca a trilhos neste hiato de tempo.

Começámos a caminhar junto do miradouro do Arrife, com vista privilegiada para toda a freguesia das Ribeiras e no topo da falha geológica do Arrife. Seguimos em direção a este local pela estrada regional, subindo um pouco, entrando posteriormente numa canada bem apertada, seguindo em fila indiana. Passando por várias quintas, descemos de volta à Estrada Regional que cruzámos, seguindo paralelamente e superiormente a Santa Bárbara, passando por um moinho de água.

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Vista sobre Santa Bárbara (esq.), Igreja Santa Bárbara (centro) e Moinho de Água (dir.)
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Flores

Continuámos a descer chegando aos Biscoitos, junto ao mar, onde existe uma das maiores colónias de Azorina Vidalii (Vidalia), planta endémica dos açores, seguindo até Santa Cruz onde, antes de terminarmos o percurso, demos uma pequena volta entre as famosas bananeiras deste local. Esta localidade situa-se numa fajã lávica, podendo ainda ver-se a arriba fóssil, anterior costa da ilha.

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Curral (esq.), Falha do Arrife (centro) e Poço de Maré (dir.)
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Bananeiras

Foi um trilho curto e bastante fácil, com alguns pontos de interesse nomeadamente no que toca a geologia flora.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Pico: Da Vinha à Montanha

No passado dia 30 de Outubro, decidimos aceder ao pedido do Geoparque por voluntários que ajudassem no Azores Trail Run - Triangle Adventure. Esta prova tinha uma extensão prevista de aproximadamente 30km com saída junto ao Porto da Madalena e final no topo do Pico, no entanto as condições atmosféricas adversas destinaram que a prova terminasse na casa da montanha.

Após uma manhã atribulada com vários cancelamentos das viagens de barco entre o Pico e o Faial, de onde vinham todos os participantes da prova, e como tal vários adiamentos da hora da partida dos atletas, chegou o barco à Madalena. Pouco depois das 14:00 começava a prova, com aproximadamente 6 horas de atraso.

Nós e os restantes voluntários, incluindo o nosso wwoofer Húngaro, fomos colocados no posto de abastecimento, mais ou menos a meio do trajeto. A nossa função seria ajudar os participantes no enchimento dos seus depósitos de líquidos e manter a mesa cheia de comida. Na verdade havia um verdadeiro banquete calórico à sua disposição: banana, laranja, tomate, sal, amendoins, favas, batatas fritas, marmelada, mel, bolachas, biscoitos bomba e bolo baleeiro. Tivemos uma hora a preparar a mesa e outra esperando pelos primeiros corredores.

Trail RunOs voluntários do posto de abastecimento (foto cedida por José Carlos Machado)

Com alguma tristeza, mas também espanto pela capacidade física, vimos os primeiros 5 a passar a grande velocidade, quase sem reparar em nós. Os seguintes 10 passavam ainda a correr mas com as mãos passando pela comida, tal e qual rede de arrastão apanhando o máximo que pudessem sem perder tempo e engolindo quase sem mastigar. A partir daqui as coisas foram bem mais animadas para o nosso lado, passámos a encher depósitos, trocar dois dedos de conversa, dar informações sobre os produtos. No fim, os participantes já tiravam a mochila, provavam de tudo o que houvesse na mesa, tiravam selfies e contavam histórias de outras corridas.

Mal passou o último, arrumámos as coisas e dirigimo-nos para a casa da montanha para ver o fim da prova. Os primeiros já tinham terminado a prova: mais de 25km e 1230 metros de desnível (a subir) em pouco mais de 2 horas.

Quatro dias depois e no rescaldo da prova propusemo-nos realizar a limpeza do percurso, retirando todas as fitas plásticas que faziam a marcação do trajeto. Se a prova tinha tido um vassoura, nós seríamos as apanhadeiras. Já conhecíamos bem a parte final do percurso, correspondente à subida ao Pico (que acabou por ser cancelada) mas tínhamos interesse em conhecer o acesso que pudesse fazer a conexão entre o mar e o ponto mais alto de Portugal.

Sabendo que havia que tirar muita marca e que o volume e peso de fitas poderia ser elevado, decidimos fazer o percurso em sentido descendente, começando portanto na casa da Montanha.

Ao fim do primeiro km foi claro que as mochilas e sacos que tínhamos não seriam suficientes para acomodar tudo o que estávamos a acumular, sendo que, além das marcas, fomos juntando muito lixo. Nota para o grau de sensatez dos participantes da corrida que, quando tiveram de deixar algum resíduo, fizeram-no deixando no mesmo local de uma fita, tendo consciência que este poderia ser recolhido juntamente com as marcas. No lado oposto, alguma frustração pela quantidade de envases de fertilizantes, pesticidas, herbicidas, cordas, plásticos e outros que fomos recolhendo, em maior quantidade com o baixar de cota e aproximação a estradas e populações. A quantidade era tanta que acabámos em parte por desistir e cingir-nos apenas às fitas que já nos faziam muito peso, volume e, principalmente, alongar-nos muito na duração da tarefa. Onde pudemos fomos aliviando espaço, aproveitando alguns sacos encontrados e deixando nos ecopontos que encontrámos.

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O Faial é a referencia quando ser faz este percurso no sentido descendente

Almoçámos exatamente no local onde tínhamos ajudado durante a corrida, mas tivemos de ser nós a levar a comida.

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Entre pastagens (esq.), Pico (centro), Local do posto de abastecimento (dir.)

Acabámos os 25 km num fantástico tempo de quase 9 horas, com uma acumulação de 6 a 7 grandes sacos com plástico e algumas garrafas de vidro que separámos pelos devidos contentores, superando assim a nossa tarefa, mas sabendo que muito lixo ficou ainda por apanhar.

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Paisagem da Cultura da Vinha

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Reciclando


Quanto ao percurso podemos dizer que não passa por propriedades privadas, pelo que pode ser feito por qualquer pessoa, no entanto não se encontra marcado e como tal há que ter alguma precaução, nomeadamente no troço desde a estrada longitudinal até à casa da Montanha.

É uma alternativa interessante para quem quer acrescentar alguma emoção e dureza à subida ao Pico, fazendo-o desde a cota zero até ao topo dos 2351m. Quando o tempo o permite, temos vistas bastante diferentes da montanha ao longo do traçado, assim como oportunidade para conhecer a paisagem da cultura da vinha do Pico, classificada pela UNESCO, com os seus muros labirínticos e havendo ainda a possibilidade de se fazer um pequeno desvio para visitar a furna de Frei Matias.

sábado, 3 de outubro de 2015

Pico: PR7PIC – Caminho das Voltas … 2X

Quase um ano depois voltámos a realizar este percurso, agora na sua totalidade e logo duas vezes no mesmo dia.

Só o facto de se organizar um passeio é razão suficiente para nos fazer alinhar na iniciativa, mas quando a organização parte do Geoparque sabemos sempre que nos será facultada muita informação interessante sobre a formação geológica dos locais por onde passamos, assim como relatos históricos, fauna e flora… como tal não podíamos perder esta oportunidade.

Havendo limite de inscrições, infelizmente nem todos os interessados no passeio puderam participar nesta iniciativa. No entanto, como desse grupo constavam alguns amigos, estes pediram-nos, juntamente com outro companheiro, que repetíssemos a caminhada, transmitindo o que nos fosse possível da informação adquirida umas horas antes... aceitámos com muito gosto.

Assim, após um semana muito chuvosa e com previsões de continuação para os dias seguintes, tivemos uma janela de bonança especialmente encomendada para que tudo corresse de feição.

Pela manhã reunimo-nos com o grupo e fomos descendo desde o miradouro da Terralta até Santo Amaro. Pelo caminho já algumas castanhas e, junto ao mar, além das habituais comestíveis perrexil, beldroegas e  espinafres, tivemos oportunidade de observar a “irmã” da especial flor da cratera do Pico, silene uniflora, esta também endémica mas a uma escala um pouco maior, os Açores.

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Caminho (esq. e centro) e Ribeira (dir.)

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Vinha (esq.), Costa Norte (centro) e Silene Uniflora (dir. – foto cedida por José Costa )

Terminado o percurso foi tempo de apenas almoçar algo e reunir com o novo grupo para repetir a dose…

sábado, 26 de setembro de 2015

Pico: PR4PIC – Subida ao Pico

Com a inscrição no curso de guias da Montanha do Pico, este tornou-se um ano recheado de subidas, de tal modo que quase duplicámos o número que tínhamos anteriormente, sendo que atualmente são 17 para o Nuno (8 este ano) e 14 para a Mónica (7 este ano)

Não há muito mais para falar sobre o trilho em si mas como nunca há duas subidas iguais (as nuvens, a luz o mar…) aproveitamos para apresentar mais algumas fotos, nomeadamente da rara silene uniflora craterícola, planta endémica da Montanha do Pico que floresceu durante este verão.

Subida 23-05-2015
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Subida 14-08-2015
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São Jorge e Terceira (esq.) e São Jorge e Graciosa (centro e dir.)
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Cratera (esq.), estação meteorológica (centro) e Silene Uniflora Cratericola (dir.)
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Faial

De salientar e louvar também a atividade de limpeza da Montanha promovida pelo Geoparque que, apesar de não ter tido a aderência expectável de voluntários, tendo em conta a importância da montanha para o turismo local, serviu pelo menos para deixar a cratera um pouco mais limpa do que a encontrámos no início do Verão.

Subida 19-09-2015
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Limpeza

Por oposição lamentamos o estado de algumas partes do trilho e zonas próximas devido ao crescimento exponencial de subidas nos últimos anos. A passagem de visitantes algo incautos gerou a degradação de alguns troços e a abertura indevida de muitos caminhos secundários, com prejuízo direto para a flora local, além de estes poderem fazer com que outros se possam equivocar na subida.

Mais virão… e sempre diferentes