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quinta-feira, 3 de maio de 2012

América do Sul - Take 4/13 - Venezuela - Parte IV - Mochima e viagem até Colombia

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2012/04/21

Depois de quase 3 horas de autocarro (um grande jipe) chegámos a Cumaná, de onde partimos logo em outro (uma carrinha de caixa “semi-aberta” com um banco corrido em quase todo o seu perímetro) em direção a Mochima. Além das 2 inglesas seguiam 4 Venezuelanos que fizeram brindes a quase tudo para ver se acabavam a garrafa de rum antes de chegarmos.

Tínhamos lido que Mochima era uma vila pacata, quase sem turistas de onde se podia alugar um barco que nos levasse e trouxesse a umas praias nas proximidades. De facto não se viam turistas mas como estávamos em fim de semana prolongado “todos” os venezuelanos decidiram tomar o mesmo destino que nós, tendo apenas encontrado um lugar onde havia um quarto para passarmos a noite. Ainda tínhamos ponderado a ida para uma ilha e/ou praia acampando na mesma mas, a possibilidade de dormirmos num quarto com ar condicionado, a possibilidade de tomarmos um banho e ainda o facto de evitarmos que um grupo de “piratas” nos fizesse uma “surpresa” durante a noite, fez pesar na nossa decisão.

Assim sendo, primeiro o desejado banho, depois almoço, algumas compras para o jantar e próximo dia e por fim procurar barco para uma praia onde passar a tarde. Não foi preciso procurar pois quase nos impingiram um barco, no entanto, como o aluguer é feito com preço fixo (150Bfs), qualquer que seja o número de passageiros dissemos que queríamos esperar por mais alguns para pagarmos menos. O piloto  “Forastero” disse já ter mais duas pessoas (daria 150/6Bfs por pessoa) e que teríamos apenas de esperar mais 15  para que estes acabassem de comer... passaram bem mais que 15 minutos e nada... até que do restaurante encostado à doca onde esperávamos, saiu um comandante de um Iate de luxo “Independiente” que nos perguntou se queríamos boleia para alguma praia. Primeiro recusámos pois já tínhamos aceite a viagem, mas depois acabámos por aceitar, não sem antes reservar o regresso para as 17:00, infelizmente pelo mesmo preço de ida e volta. Resumindo ganhámos nós que fomos num barco catita com bebidas e aperitivos à descrição e ganhou o piloto que ganhou o mesmo fazendo apenas metade do trabalho. No barco seguia um grupo de polícias venezuelanos de férias.

O iate parou a uns metros da playa blanca, enquanto o Nuno foi levado no pequeno bote de borracha até á areia as meninas aproveitaram para dar o primeiro mergulho em águas cristalinas e a temperatura impecável.

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14:09 Cervejas por conta da casa... (esq.) e 15:24 Independiente (dir.)

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14:25 Em plena boleia (esq.) e 14:59 As 3 “Gringas” (dir.)

Depois de algumas horas na praia as inglesas já tinham recebido a oferta (mesmo sem terem percebido o conteúdo da mesma e como tal não a tendo aceite) de uma viagem a ver os golfinhos de graça e um jantar, peixe pescado no dia... (ao qual também acabámos por não ir). Após as 17h receávamos que o skiper do “forastero” nos fosse deixar ficar pela areia da praia, pelo que começámos a tentar negociar a saída sem grande sucesso... por fim avistámos o barco e seguimos novamente para Mochima.

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13:40 Forastero (esq.) e 15:55 Barco Típico (dir.)

No que diz respeito a fauna pudemos observar uma iguana, fragatas e pelicanos que, enquanto no mar, se lançavam como mísseis em busca de peixe.

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13:36 Iguana (esq.), 14:00 Pelicano (centro) e 14:36 Fragata (dir.)

Regressados da praia fomos fazer o jantar: nós ficámos encarregues da sobremesa (mais uma vez leite creme) e as inglesas (vegetarianas) do prato principal, massa com bolonhesa de legumes. Na cozinha estava também uma família de venezuelanos a preparar a sua carne grelhada com arepas, mas com os olhos postos na nossa sobremesa. Fizemos um prato separado para provarem e à custa disso tivemos direito a uma febra, duas salsichas e 2 arepas.

 2012/04/22

Como pequeno almoço 4 ovos (que a Mónica tinha batido na noite anterior, enquanto falava com a família venezuelana, esquecendo-se de separar as gemas para o leite creme) mais 4 claras, alguns legumes e queijo... umas omeletes muito boas. O leite creme tinha feito sucesso junto dos locais e tivemos direito a mais algumas arepas, assim como mais de meio pacote de farinha de milho e óleo.

Com estes novos ingredientes pensámos em inventar as nossas próprias arepas, recheadas com queijo e alho que experimentámos ao almoço, acompanhando o resto da massa e como sobremesa o resto do leite creme e das mangas que as inglesas tinham trazido de Canaima.

Tínhamos uma longa viagem pela frente por isso teríamos de sair o mais cedo possível. Enquanto esperávamos pelo “autocarro” que nos levaria ao cruzamento, onde apanharíamos outro autocarro até Santa Fé (separando-nos das inglesas), onde por sua vez teríamos de apanhar outro autocarro até Puerto La Cruz onde ainda apanharíamos mais um autocarro até Maracaibo, daqui até Maicao por porpuesto e finalmente mais um autocarro até Santa Marta na Colômbia (confuso??)... enquanto esperávamos, um grupo de pescadores perguntou para onde íamos e “ofereceu” boleia até Puerto La Cruz com paragem em Santa Fé para deixar as inglesas... a oferta incluía o pagamento da nossa parte de uma garrafa de rum, que quando a Mónica acompanhou um deles á loja já incluía mais um saco de gelo e uma coca-cola... o que foi recusado... não queríamos pagar mais do que os 50Bfs pois todos os autocarros nos custariam 60Bfs... assim acabaram por deixara coca-cola e repor o resto do dinheiro do seu bolso, apesar da sua insistência.

Terá sido bem mais perigoso (estávamos à boleia no alegado país mais perigoso da América do Sul), menos confortável (mais de 60km na caixa de uma carrinha e debaixo de chuva nos últimos 15km), mas bastante mais rápido e consequentemente mais barato pois se tivéssemos chegado 10 minutos mais tarde a Puerto La Cruz não teríamos mais autocarros nesse dia para Maracaibo.

2012/04/23

Depois de uma longa viagem de 18 horas de autocarro, sem comer quase nada, entrámos no porpuesto para mais quase 3 horas até Maicao (já na Colômbia e com paragens para carimbo de passaportes e cambio de dinheiro... sim ainda nos restou algum dinheiro venezuelano) e daqui nova correria para apanhar o último autocarro de 4 horas de viagem até Santa Marta. O pouco dinheiro que tínhamos era o valor certo para pagar o autocarro na companhia mais barata. No entanto e como lhes perguntámos quanto teríamos de pagar de táxi até ao hostel ainda nos fizeram um desconto de 20% pois precisaríamos desse valor para sair do terminal... já de noite.

Chegados ao terminal por acaso reparámos existir um ATM mas infelizmente temporariamente fora de serviço. Só depois de chegarmos ao hostel, no centro de Santa Marta pudemos levantar algum, pelo menos para comer, algo que não fazíamos decentemente há mais de 30 horas.

Em todo o caso já tínhamos saído da Venezuela, país com pior reputação no meio dos viajantes, do qual só temos boas recordações, com especial relevo para o Monte Roraima. Aconselhamos a quem queira fazer um pouco de tudo pois há tours bem organizados para, montanha (andes e tepuys), savana, selva, cascatas, praias, ilhas, foz do rio Orinoco, cursos de mergulho a preço muito económico...  ficou ainda muito para ver...

América do Sul - Take 4/13 - Venezuela - Parte III - Cueva del Guácharo

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2012/04/19

Ás 6:30, depois de uma noite de chuva e trovoada intensa que levou ao apagão de toda a cidade, como combinado, estávamos já na companhia da Roisin e da Buffy mas, depois disto pouco correu como planeado:

- as informações que tínhamos, vindas dos responsáveis de cada uma das pousadas não batiam certo; Enquanto um referia ser melhor ir de bus para Maturin e depois Caripe o outro referia Cumaná e depois logo se vê... tendo estes dados e analisando o mapa a primeira opção, proveniente da nossa pousada, parecia ser a melhor;

- o responsável pela pousada delas tinha ficado de arranjar um táxi para os 4, tendo-o apenas feito à última hora e, depois de esperarmos alguns minutos, chegou um carro minúsculo onde não cabíamos juntamente com as mochilas. Tivemos de nos separar pois o táxi tinha sido chamado e teria de fazer o serviço. Para tentar remediar, o mesmo mandou parar outro e disse para entrarmos... já conhecendo como funcionam as coisas, perguntámos o preço antes de entrar: 40BFs... mais 10 do que seria de esperar... recusámos e andámos à chuva uns 300 metros até à praça de táxis onde arranjámos a 25Bfs. No terminal, dado os conhecimentos reduzidos de espanhol das nossas companheiras, verificámos que estas tinham acabado por pagar os 40 sem ter hipóteses de negociar... em vez de 30/4 gastou-se 40/2 + 25/2...

- no terminal, ainda sem luz, verificámos não haver qualquer autocarro para Maturín, trajecto apenas vencido por porpuesto (táxis partilhados)... o custo era quase o dobro do previsto (em vez dos 70Bfs pediam-nos 130) , com a agravante de ser feriado nacional... aplicando-se portanto taxas mais elevadas. Ainda fizemos as contas a tentar ir por Cumaná mas como previsto não compensava, ou ainda de porpuesto até San Felix de onde saem autocarros até Maturin, mas já não conseguiríamos a ligação no mesmo dia. Ainda conseguimos uma redução mínima do preço (125Bfs)... isto de termos 3 mulheres num grupo de 4, duas delas loiras,  até dá jeito. Conseguimos ainda sair do terminal sem pagar a taxa de utilização do mesmo...
Fazendo bem as contas, estamos a falar de um valor baixo (ou não como vimos depois pelo preço da gasolina cá) para uma viagem em carro mais ou menos privado numa distancia de quase 400 quilómetros.

- em Maturin apanhámos quase instantaneamente um bus a Caripe mas mais uma vez o preço foi mais elevado que o previsto... também demorou uma eternidade a fazer-se 120km mas as paisagens eram muito bonitas...

Quase em Caripe parámos num posto de abastecimento onde não queríamos acreditar no que víamos: o carro à nossa frente tinha enchido o depósito com 57 litros de gasolina e o preço a pagar era a módica quantia de 4Bfs (1€->5,6Bfs no mercado oficial ou 1€->11Bfs no mercado paralelo... façam as contas ao litro...) ... achamos que podemos afirmar que as viagens são caríssimas.

Já não era muito cedo e o corpo precisava de sustento por isso fomos ao mercado comprar legumes e fruta e a uma padaria comprar uns deliciosos pães e queijo, finalmente algo a preços inferiores aos de Portugal.

A sorte foi momentânea pois enquanto comíamos tivemos a companhia de 3 bêbados locais que nos tentavam impingir um número de telefone e um lugar para dormirmos. Os nossos “no hablar”, as respostas nulas, o desprezo total, o facto de termos um bastão e navalhas nas mãos não foi suficiente para desmobiliza-los. Pelo meio recusámos uns preços bastante económicos de táxi para a gruta e acabámos por pagar bem mais quando decidimos ir.

Ainda obtivemos a informação (errada) de que não haveriam autocarros para Cumaná, cidade que, agora sim, teríamos de passar para ir a Mochima, apenas poderíamos ir de porpuesto cuja quantia seria de 125Bfs por pessoa.

Chegados à gruta, já não havia tempo para a visita completa, pelo que decidimos buscar o melhor sítio para acampar e montar as hamacas. Dado o baixo preço do parque, uma vez que ainda queríamos visitar a gruta e que provavelmente teríamos de sair muito cedo para Cumaná, decidimos passar duas noites... na primeira dormimos nas nossas hamacas e emprestamos a nossa tenda dado que as nossas companheiras não dispunham de qualquer um dos meios... na segunda invertemos os papéis... ou seja, mesmo sem casa acabámos por receber 2 couchsurfers.

Um dos momentos mais esperados do dia é aquele em que saem todos os guácharos da gruta para passar a noite em busca de alimento. Para tal basta ir para a abertura ao pôr do sol e esperar... assim o fizemos. Foi algo totalmente diferente do que já tínhamos experienciado, primeiro começamos a ouvir ao longe uns grunhidos que, com a aproximação destes, vão-se tornando cada vez mais altos quanto mais escuro fica. Depois começam-se também a ouvir os estalidos da ecolocalização que utilizam para se guiarem no escuro, à semelhança dos morcegos. Por fim, quando este barulho era quase ensurdecedor, até assustador para quem não soubesse do que se tratava, começaram a sair os pássaros.

Saída dos Guácharos

Existem guácharos em aproximadamente 260 grutas espalhadas pela Venezuela e Brasil, sendo que esta comunidade com 7 a 10 mil pássaros é a maior. Também existem morcegos na gruta mas a razão é de 1 morcego para 100 guácharos. Estes têm a dimensão e algumas parecenças com os falcões, no entanto apenas comem frutos. Dada a dimensão das sementes estas normalmente são regurgitadas em vez de completarem todo o ciclo digestivo. Curiosas são duas protuberâncias, uma de cada lado do bico, que se assemelham a bigodes, que são utilizadas como receptores dos sinais enviados.

Esta também é a maior gruta da Venezuela com 10,2km estando abertos ao público 1200metros.

Jantámos do que tínhamos comprado, jogámos monopólio e fomos dormir pois pretendíamos acordar cedo, por volta das 4:00, para ver o regresso dos pássaros à gruta.

2012/04/20

A chuva pregou-nos dupla partida: primeiro pois não nos apeteceu sair do conforto das hamacas para nos molharmos em frente à gruta; depois, dada a sua intensidade durante toda a noite, entupiu literalmente a gruta, por pelo menos dois dias, impedindo a visita de turistas após os 500 metros.

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14:10 Acampamento (esq.) e 14:44 Aranha (dir.)

Ainda com alguma esperança que a água baixasse para a tarde, de manhã fomos comprar mais algumas comidas e confirmar a existência de autocarros para Cumaná, os respectivos preços e horários. Finalmente boas notícias, não relativamente á gruta mas sim ao transporte... não só teríamos autocarro no dia seguinte (um grande jipe) como este nos viria buscar à entrada da cova, logo após o regresso dos guácharos e ainda a um preço muito apetecível (70Bfs por pessoa)... perfeito.

Depois de almoçarmos decidimos ver os 500 metros permitidos de gruta, pagando o preço de Venzuelano (20Bfs), no entanto tivemos azar pois o nosso grupo era enorme e quase impossível ouvir o guia. Em todo o caso parecia apenas que este estava a dar nomes a todas as estalactites e estalagmites mesmo que não se parecessem com nada. Quase todo o percurso foi feito com os pés dentro de água, ou melhor, guano de pássaro. Sob um ruído infernal dos pássaros visitámos algumas galerias com mais de 30 metros de altura e pudemos observar grandes formações calcárias...Quanto a animais vimos um pequeno roedor e outro talvez do tamanho de um pequeno coelho mas não conseguimos identificar no meio da escuridão...deve ter ficado muito por ver nos restantes 700 metros.

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2012-04-21 05:29 Maquete na entrada na gruta (esq.), 2012-04-20 16:06 Entrada da gruta (centro) e 16:04 Início da gruta (dir.)

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14:40 Vista para o exterior (esq.) e 15:42 Interior da gruta (dir.)

Ruído no interior da Cueva del Guácharo

Saindo da gruta fizemos uma curta caminhada (1,2km que nos pareceu bastante mais) que saía do nosso acampamento até uma cascata de dimensão considerável, denominada Salto La Paila.

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16:48 Cascata no caminho (esq.), 17:58 Salto la Paila (centro) e 18:40 Borboleta (dir.)

Seguimos para a entrada da gruta para esperar nova busca de comida dos guácharos, agora com comportamento totalmente diferente do dia anterior (talvez pela ausência de trovoada), saindo muito mais cedo e sem o assustador crescendo de ruído até o primeiro corajoso se aventurar.

Jantámos e fomos dormir com novo intuito de acordar às 3:30, arrumando as coisas para ver a entrada dos guácharos...

2012/04/21

Sem despertador não acordámos à hora prevista e como tal só tivemos a oportunidade de ouvir os pássaros passar pelo nosso acampamento antes de voltarem à gruta.

Coisa inédita na América do Sul, o carro veio-nos buscar quase uma hora antes do previsto... por sorte estávamos prontos.

P.S. estamos com algumas dificuldades em carregar as pilhas do GPS motivo pelo qual não temos os links dos trilhos efetuados, nem neste, nem no post anterior... estamos a tentar solucionar o problema, que provavelmente passará por comprar outro carregador cá por estas bandas.

América do Sul - Take 4/13 - Venezuela - Parte II - Salto Angel

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2012/04/15

Vindos de uma grande aventura pelo Monte Roraima, chegámos a Ciudad Bolivar já com outra reservada... ainda nos perguntaram se queríamos seguir diretos ou passar um dia na cidade... pelo nosso bem marcámos para o dia seguinte... agora para visitar a mais alta cascata do Mundo: Salto Angel. Estava incluído no preço, não só o tour, com viagem de avião de ida e volta entre Ciudad Bolivar e Canaima, refeições, dormidas, viagens de barco, visita a outras cascatas e guia, mas também uma dormida numa pousada antes, até outras duas depois, todos os transferes entre terminais, pousada e aeroportos e ainda um pequeno almoço no dia do tour. Não estavam incluídos o pequeno almoço no dia de chegada, as taxas do aeroporto, a taxa do parque nacional de Canaima e o almoço no último dia de Tour. Em todo o caso o preço estava dentro dos mínimos que nos tinham referido, incluindo alguns extras, no entanto, pelos 3 dias de tour pagámos mais que os 7 dias do Monte Roraima.

Chegados à Posada da agência Conexión Tours, ainda com o nosso guia Frank, uma boa surpresa: a oferta do pequeno almoço... que veio mesmo a calhar pois eram 7:30 e depois de uma viagem de 14 horas, soube mesmo bem. Nesta pousada pode-se utilizar a internet, a cozinha e a lavandaria, tudo incluído no preço.

Um dos 9 filhos do Frank fazia anos e ainda nos oferecemos para lhe fazer uma sobremesa, leite creme, mas eles iriam festejar fora de casa pelo que não lhe dava muito jeito voltar a buscá-la... marcámos para depois do tour se ele quisesse.

Assim sendo, este dia foi de descanso... ou talvez não pois tínhamos quilos de roupa para lavar e esfregar, quilos de terra e lama no corpo para tirar, comida para comprar, botas e tenda para limpar e secar, baterias e pilhas para carregar e por fim blog para atualizar... não tendo sido possível fazer tudo...

Durante o dia ainda cozinhámos um estufado de legumes com arroz e acabámos mesmo por fazer um leite creme, que oferecemos aos donos da posada, tendo estes nos oferecido um pouco do seu jantar: Bollos de Maíz (uns pequenos bolos feitos com farinha de milho água e manteiga, cozidos em água e acompanhados com queijo, fiambre e manteiga). Com as claras excedentes do leite creme fizemos ovos mexidos para acompanhar o arroz de legumes.

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19:36 Bollos de Maíz

2012/04/16

Não tivemos tempo para dormir muito, pois às 6:00 já estávamos a pé, para tomar o pequeno almoço meia hora depois e sair por volta das 7:00 em direção ao aeroporto. Infelizmente não poderíamos levar os objetos que normalmente se confiscam nos aeroportos, uma vez que não teríamos mala de porão, em especial as navalhas que dão sempre jeito ter por perto.

O nosso avião, um Cessna 172 de matrícula YV2370 era minúsculo, levava o piloto e nós os dois mas tinha lugar para mais uma pessoa. Durante a viagem de aproximadamente uma hora e meia a 500 pés de altitude, a Mónica, no lugar do copiloto, teve o prazer de tomar os comandos do avião por alguns minutos.

Descolagem do Aeroporto da Ciudad Bolivar
Mónica a pilotar o nosso avião... enquanto o piloto a filma
Aproximação e aterragem no Aeroporto de Canaima

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Voo: 09:35 Mistura das águas (esq.), 09:37 Arco-iris artificial (centro) 09:52 Tepuy (dir.)

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10:04 Cessna 172 de matrícula YV2370 à chegada

Chegados ao aeroporto fomos encaminhados para a posada onde iríamos comer e passar a noite. Aqui conhecemos os nossos companheiros de tour, pelo menos para este dia: 3 ingleses, 1 japonesa, 1 brasileiro, 1 australiano, 1 casal de checos e 3 americanas.

Antes do almoço tivemos oportunidade de passear um pouco em torno da lagoa de Canaima e ver já algumas das cascatas que a abastecem. Neste mesmo passeio tivemos a boa surpresa de encontrar mangas por todo o lado, assim como algumas goiabas... era só apanhar e comer (que falta nos faziam as navalhas).

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10:55 Cascatas e Lagoa Canaima (esq.), 11:03 Milípede (centro) e 11:42 Cascatas e Lagoa Canaima (dir.)
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Cogumelos: 11:23 (esq.), 11:25 (centro) e (dir.)

Almoçámos um delicioso estufado de carne de vaca com arroz e legumes... em que americanas quase não lhe tocaram.... o que foi similar nas refeições seguintes, á excepção do que fosse frito... mas compensavam com oreo e batatas fritas.

Depois do almoço voltámos à Lagoa de Canaima, agora para passar de barco mesmo junto às suas 7 cascatas e sair para uma curta caminhada até outras duas chamadas El Salto Sapo e El Salto Sapito. A primeira tem dimensão e volume de água consideráveis mas também a particularidade de se poder passar entre a queda de água e a parede vertical de rocha.

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14:13 Cascatas e Lagoa Canaima, com muitos salpicos à mistura (esq.), 15:07 El Salto Sapo (centro) e 15:58 El Salto Sapito com Tepuys ao fundo (dir.)

Salto Sapo - A caminhar entre a parede rochosa e a parede de água...

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15:49 Flor (esq.) e 15:54 Lagartixa (dir.)

Vistas as mesmas de vários ângulos voltámos para a posada para atacar umas quantas deliciosas mangas.

Á hora do jantar nova deliciosa refeição, agora peixe assado de nome Rallado.

Ao fim da noite o nosso guia Tony veio informar do que iríamos fazer, nomeadamente a temível (pelo menos para as americanas) caminhada de 1 hora até ao miradouro da cascata.

2012/04/17

Tinha chegado o dia mais importante do tour, em que iríamos fazer todo o caminho até à ao Salto Angel e pernoitar em hamacas no centro do parque.

O autraliano já não constava do grupo mas tínhamos mais um brasileiro e quatro venezuelanos.

Como pequeno almoço, omelete, uma grande panqueca e duas rodelas de salsicha (com sabor á carne almoço que tínhamos levado para o Roraima).

Saímos a pé tendo o privilégio de poder deixar as nossas malas para que um carro as carregasse. Caminhámos uns 20 minutos em torno da lagoa e subimos pela central de eletricidade, gerada a partir da água das cascatas, de modo a transpor o desnível correspondente ás mesmas, para depois entrarmos numa lancha por mais 20 minutos. Após estes, nova caminhada de 30 minutos, enquanto a lancha iria passar alguns rápidos no rio levando apenas as malas, para nos apanhar novamente, para mais três horas de viagem pelo rio. Primeiro uma hora no rio Carrao e depois mais duas no rio Churun. Pelo meio uma paragem para almoço no sopé de uma cascata... desta vez, um aproveitamento do peixe da noite anterior misturado com molho de tomate sobre esparguete...mais uma vez delicioso (e uma das americanas nem sequer lhe tocou).

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08:06 Insecto na mesa ao pequeno almoço (esq.), 11:13 Rio Carao com Tepuy ao funto (centro) e 11:55 Almoço (dir.)

Rápidos Rio Churun

No percurso, ao contrário do que pensaríamos, quase não vimos animais, apenas uns 3 pássaros. Em todo o caso as vistas são muito boas, os rios circundam os vários tepuy com dimensões bastante superiores ao Roraima e com paredes verticais ainda maiores, dos quais se podem ver muitas cascatas. O Salto Angel é uma cascata que cai do tepuy Auyán que tem aproximadamente 700km2 de superfície. Acabámos por descobrir ser possível ir até ao topo, mas é uma jornada de 14 dias, estando interdito neste momento o caminho de mais alguns dias na plataforma até ao Salto Angel.

Para chegar ao miradouro donde poderíamos observar a cascata, saímos do barco na Isla Ratón, onde estava o nosso acampamento, atravessámos o rio a pé (finalmente algo com alguma dificuldade) seguindo-se uma pequena caminhada de uma hora pela floresta.

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14:22 Acasalamento de libelinhas (esq.), 14:29 Chegada à Isla Ratón (centro) e 16:53 El Salto Angel (dir.)

Lagarta

A água cai de uma altura tão grande que quando chega ao fundo parece pouco mais do que vapor de água. Dá também para perceber que a parede é significativamente maior que a do Roraima, no entanto o topo encontra-se a cota inferior. Embora seja perceptível uma grande dimensão de queda, não dá para perceber que estamos a falar e quase um quilómetro, mais precisamente 976 metros.

Ainda houve tempo para um banho numa cascata uns metros abaixo e regressámos pelo mesmo caminho até ao acampamento onde já se assavam uns frangos para o jantar, depois do qual estivemos algum tempo a falar com o Moacir (brasileiro) e fomos dormir.

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17:57 WC acampamento (esq.), 18:02 El pollo (centro) e 18:07 Hamacas (dir.)

2012/04/18

Neste dia apenas todo o caminho de volta até Ciudad Bolivar.

O pequeno almoço foram ovos, uns pequenos pães de milho fritos (Arepas) e salada.

Todo o caminho de volta por rio demorou pouco mais de metade do dia anterior... estávamos agora a favor da corrente.

Em Canaima fomos em busca de mangas, e depois de as comermos... almoço... supostamente não incluído no tour mas que nos estava a ser oferecido... para não variar, muito bom.

Fomos para o aeroporto esperar o nosso piloto, e regressámos a Ciudad Bolivar no mesmo avião mas agora na companhia da japonesa.

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Voo de regresso: 13:49 Cascatas e Lagoa Canaima (esq.) e 14:24 Albufeira (dir.)

Aproximação e aterragem em Ciudad Bolivar

Este tour apesar de muito bonito pareceu-nos demasiado turístico, principalmente depois do Monte Roraima.

Tendo como destino seguinte comum Mochima, com paragem pelo meio na Cueva del Guácharo, combinámos viajarmos juntos com as duas inglesas (Roisin e Buffy) do nosso tour ao Salto Angel, para divisão de despesas nos dias seguintes. Cada um ficou de perguntar qual a forma mais rápida e barata de lá chegar, combinando-se um encontro no dia seguinte pelas 6:30 para saída conjunta em direção ao terminal de autocarro. As informações obtidas sobre como prosseguir viagem pela Venezuela não poderiam fugir muito à realidade senão provavelmente viríamos a ter alguns problemas de dinheiro, contadinho à justa até à fronteira (não é que não o tivéssemos, mas não queríamos levantar nenhum na Venezuela atendendo às taxas de cambio aplicadas)....

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2012-04-19 06:26 Catedral de Ciudad Bolivar (esq.) 06:28 Edifícios típicos (dir.)