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domingo, 10 de dezembro de 2017

a caminhar pela Ilha Terceira

A Ilha Terceira andou sempre nos nossos planos mas no final de contas, sempre que decidimos conhecer uma ilha… escolhíamos outra. De tal modo que nos últimos anos apenas a Mónica por lá tinha passado, mas apenas em escalas ou visitas que não permitiram conhecer muito da ilha. Já o Nuno, fazia três décadas que não estava mais do que uns minutos no aeroporto das Lajes.

Tinha chegado o momento (infelizmente, apenas o Nuno): tendo como principal objetivo conhecer os melhores hotspots dos Açores para observação de aves e fazer algumas estreias na sua lista de espécies, o Nuno decidiu juntar-se à comitiva do Clube de Observação de Aves do Faial, aproveitando em todo o caso,  para ir uns dias mais cedo e finalmente conhecer a Terceira. O plano inicial consistia em, nos primeiros 4 dias, fazer todos os trilhos marcados (e mais alguns se possível), visitar Gruta do Natal e Algar do Carvão, conhecer Angra, estar com uns amigos e tentar alargar a nossa rede de contactos de Permacultura. Nos restantes 3, observação de aves.

Nos dias anteriores a previsão meteorológica não augurava boa coisa por isso à partida do Pico já se sabia que não iria ser fácil fazer algo pelas zonas mais altas: nem ver, nem caminhar. Tivesse sido uma oportunidade única na vida e o plano manter-se-ia, mas sabendo da facilidade em lá voltar, a decisão foi de aproveitar ao máximo o tempo (em ambos os sentidos), sem pressões e o que não desse para visitar ficaria para uma próxima, até porque, depois de tanta molha apanhada na Montanha durante o ano, não apetecia nada ter de caminhar à chuva.

Dia 4 de Dezembro de 2017

Prometia chuva e assim foi, não deu para visitar muito mais do que Angra e ao fim de uma hora já estava todo encharcado. A maquina fotográfica nem saiu da mochila. Como também era Segunda-feira e os museus estavam todos fechados, o resto do dia foi passado à conversa com os nossos amigos e anfitriões.

Dia 5 de Dezembro de 2017

Era o dia com melhor previsão e como tal o plano era fazer os trilhos potencialmente mais bonitos e mais altos, mas mal subi um pouco de carro, nem se via as bermas da estrada. A alternativa foi voltar à costa e fazer o trilho PR2TER – Baías da Agualva.

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Alto da Memória – única foto de Angra (esq.) e Trilho Baías da Agualva (centro e dir.)

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Trilho Baías da Agualva

Depois de passar o ano a subir a Montanha com bastões, o facto de não os ter fez alguma confusão, principalmente no início do trilho, em que a descida é bastante acentuada.

É um trilho muito curto, com apenas 4km marcados, mas deu para acrescentar pelo menos mais um, fazendo uns desvios, por caminhos de pé posto, até a quase todas as extremidades das baías. Mesmo com estes desvios e pequenas paragens à procura de aves, ao fim de uma hora já estava de volta ao carro.

O almoço foi na Quinta dos Açores e bem mais calórico do que o que tinha sido gasto no trilho.

Seguiu-se uma visita privada com guia ao Monte Brasil e Fortaleza de São João Baptista

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Forte de São João Baptista

Dia 6 de Dezembro de 2017

O tempo estava bastante mau por isso a opção foi ir para dentro da terra e visitar a Gruta do Natal e o Algar do Carvão. A primeira não impressionou, achando apenas interessante o facto de haver vários tuneis paralelos, o algar sim, principalmente pela dimensão. Em todo o caso pareceu estranho, em ambos, poder qualquer pessoa entrar num local deste tipo sem guia, nem ter de usar iluminação pois esta já existe no local. Se de facto, para se poder apreciar a grandeza do Algar umas simples lanternas não seriam suficientes e alem disso a iluminação utilizada está bastante bem colocada e disfarçada, no caso da gruta do Natal não parece que fosse necessário.

Dia 7 de Dezembro de 2017

Mais um dia desagradável, de manhã uma pequena caminhada pela zona da Serreta e de tarde uma pequena volta com uma primeira passagem pelo Paul do Cabo da Praia, melhor local para observação de aves nos Açores… tantas aves em tão pouco espaço… nem sabia para onde olhar nem como fazer as contagens, em pouco tempo 3 estreias.

Dia 8,9 e 10 de Dezembro de 2017

Não tinha cumprido quase nada do plano inicial e já estava no dia em que chegava a comitiva do Clube de Observação de Aves do Faial, à qual me iria juntar.

Antes disso ainda deu para fazer uma pequena variante ao PR5TER – Fortes de São Sebastião, tornando o trilho linear em um circular, de modo a regressar ao carro.

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Trilho
Fortes de São Sebastião (esq.) e Comitiva do Clube de Observação de Aves do Faial (dir.)13-IMG_157514-IMG_1579
Vistas desde o miradouro da Serra do Cume

A partir daqui o foco foram as aves, o tempo também ajudou e deu também para ver um pouco do que não tinha conseguido nos dias anteriores. No final foram 10 estreias, 55 espécies na ilha Terceira.

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Pequena amostra do que havia no Paúl do Cabo da Praia: Pilrito-das-praias - Calidris alba, Pilrito-de-bico-comprido - Calidris ferruginea, Pilrito-de-peito-preto - Calidris alpina e Borrelho-de-coleira-interrompida - Charadrius alexandrinus

sábado, 1 de julho de 2017

Pico: Grutas

Foi um primeiro semestre de 2017 recheado de actividades de espeleologia…

Além de várias visitas às já conhecidas Furna de Frei Matias, Furna da Agostinha, Furna da Sapateira e Gruta do Soldado/Soldão quase que duplicámos o número de grutas conhecidas da nossa lista, quer por iniciativa própria, quer respondendo aos eventos criados pelo Parque Natural do Pico, Município das Lajes, Associação Os Montanheiros e Azores Fringe Festival.

Por ocasião da actividade organizada pelo Parque Natural do Pico, no dia 18 de Fevereiro,  visitámos a Furna Nova II. Não fosse apenas o túnel lávico bonito e muito interessante, o caminho que temos de fazer para lá chegar também o é. Relativamente às até então conhecidas, esta gruta apresenta duas características que nunca tínhamos visto antes: existe uma cascata de lava que desce pela entrada da gruta e continua alguns metros no interior de mesma; e o chão apresenta “lama totalmente negra” tratando-se de carvão. A explicação para o primeiro fenómeno deve-se ao facto de a gruta ja existir e posteriormente ter havido nova erupção cuja escoada lávica terá entrado na cavidade já existente e como tal ter havido novo fluxo de lava no seu interior com coloração distinta. O segundo, e sem grandes certezas, poderá ter origem no mesmo facto (uma erupção posterior à que gerou o túnel) pois o negro que se vê pode ser resultante da carbonização da floresta que terá crescido entre os dois eventos eruptivos e sido destruída durante o segundo, e cujos sedimentos se foram depositando com o tempo no fundo da gruta.

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Precisamente um mês depois o Município das Lajes, em parceria com os montanheiros, organizou tambem uma visita a uma gruta aqui na Ribeirinha, Gruta da Ribeira do Fundo. Poucos dias antes soubemos da sua existência, um dia fomos apenas saber a localização da entrada, voltámos uma segunda vez para entrar, mas com pouco equipamento e tempo, por isso avançámos menos de 100 metros e por fim, aproveitando este evento tivemos oportunidade de conhecer grande parte do túnel.

O principal atractivo desta gruta corresponde à enorme estalagmite de lava de praticamente 2 metros que se encontra quase no fundo da mesma, alcançada apenas após alguma escalada e rastejo por zonas de estrangulamento do túnel provocadas por enormes “Lava Balls”. Lava Ball trata-se de um pedaço de lava, já solidificada que se desprende das paredes ou tecto de uma gruta, ainda durante o fluxo de lava e acaba por ser transportada pela corrente, até que encalha gerando normalmente um estrangulamento.

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Mais recentemente, a 17 de Junho de 2017, por ocasião do Azores Fringe Festival foi a vez de conhecermos a Furna Vermelha.

Já sabiamos onde parar o carro mas não onde se entrava, embora a Mónica já tivesse explorado um pouco as redondezas.

Passámos por algumas aberturas não tão fáceis de aceder e como tal, hão de ficar para outro dia com menos gente e mais calma, e entrámos numa grande galeria onde a cor do chão faz jus ao nome da furna. Não avançámos muito no subsolo mas a forte cor vermelha da lava e as suas formas tornam esta gruta bastante interessante, assim como todas as explicações fornecidas pelo nosso guia Paulino Costa. Ficámos no entanto com curiosidade para explorar os restantes troços de túnel.

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Ainda no mesmo dia, aproveitando termos o equipamento no carro e sabendo da existência de mais algumas grutas no caminho de casa, decidimos passar o dia a explora-las por iniciativa própria:

-Furna Nova I

Sabendo da sua proximidade à Furna Nova II fomos no seu encalço, a primeira vez sem sucesso, da segunda encontrámos a entrada mas não tinhamos tempo para explorar, à terceira tentativa a Mónica entrou conhecendo grande parte e finalmente à quarta conseguimos ir juntos e com tempo.

O que se pode dizer desta gruta é que é simplemente fantástica. A diversidade de espaços e formações no seu interior é enorme: temos grandes balcões, muitas estalactites, muitas cores, raizes. Também é relativamente fácil a locomoção no seu interior, principalmente para nós que não nos temos de baixar muito.

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- Gruta Henrique Maciel

O que mais nos impressionou nesta gruta foi a longitude da mesma com um túnel bastante amplo, de secção transversal praticamente constante e piso e paredes muito regulares… nunca tinhamos andado por tanto tempo e tão rápido dentro de uma gruta.

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Não esquecer que a entrada para muitas destas grutas é feita no interior de propriedades privadas e como tal é recomendado solicitar autorização para aceder à gruta.

Chegaram a existir outras actividades organizadas pelas mesmas entidades às quais não nos inscrevemos por já conhecer as grutas, dando assim lugar a outros.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Ilha das Flores

Em Agosto de 2008 escolhemos as Flores e Corvo como destino para uma semana intensa de caminhadas. Um dos grandes resultados desta viagem foi a vontade de regressar e finalmente se proporcionou, infelizmente apenas para o Nuno e ficando desta vez o Corvo de fora.

Em apenas mais uma das muitas actividades organizadas pela MiratecArts por ocasião do Azores Fringe Festival de 2017, surgiu a oportunidade de me juntar a um grupo de fotógrafos de Pico, Faial, Terceira, Santa Maria, Madeira, Continente, Espanha e São Tomé, para fazer uma expedição fotográfica de 3 dias pela ilha das Flores e dar mais uma vez a conhecer um pouco da nossa viagem pela América do Sul. Foi tempo também para revisitar alguns dos locais favoritos, conhecer um pouco mais das vilas das Lajes e Santa Cruz e seus habitantes e aproveitar os tempos livres para caminhar e tentar encontrar algumas aves novas.

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Grande parte do grupo saiu do Pico, muitos conhecidos, mas também algumas caras novas, que faziam antever que mesmo que o tempo não ajudasse, iria ser uma viagem divertida. Já no Faial mais alguns se juntaram e, apesar de alguma apreensão, o nosso voo seguiu como previsto.

Chegando às Flores tivemos tempo para almoçar, conhecer Santa Cruz e uma pequena conversa sobre fotografia, enquando esperávamos que mais elementos aterrassem na ilha.

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Museu das Flores (esq.) e Igreja Matriz de Santa Cruz das Flores (dir.)
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Vidália – Azorina vidalii (esq.), Flor - Commelina benghalensis (centro) e Erosão (dir.)
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Costa Este (esq.) e Corvo (dir.)

Reunido o grupo seguimos para a Cãmara Municipal, onde nos apresentámos, visitámos o imponente edifício do Museu e Auditório Municipal (tão novo e com tanto potencial mas práticamente inutilizado), o Miradouro do Monte das Cruzes para algumas fotografias e depois jantar no Hotel Ocidental, antes de seguir para os nossos aposentos nas intalações da Rádio Naval nas Lajes.

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Museu e Auditório Municipal de Santa Cruz
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Vista do Miradouro do Monte das Cruzes: Igreja Matriz de Santa Cruz (esq.) e Porto de Santa Cruz

Alguns aproveitaram para uma sessão de fotos nocturnas perto do Farol, outros preferiram fazer o mesmo ao nascer do sol do dia seguinte.

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Pelas 6:30 já estava de maquina fotográfica e binóculos em riste para dar uma volta pelas Lajes.

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Nascer do Sol no Porto das Lajes (esq.) e Igreja de Nossa Senhora do Rosário (dir.)

Às 9:00 reunimo-nos todos para sair em conjuntos e conhecer a parte interior da ilha, incluindo lagoas e a Rocha dos Bordões. Para quem não conhecia as Flores e conhecia a realidade do Pico o que mais impressionava era a quantidade de água.

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Lagoa
da Lomba (esq.) e Vale (dir.)
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Lagoas Rasa e Funda (esq.) e Lagoa Funda (dir.)
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Lagoa Funda (esq.) e Lagoas Negra e Comprida (dir.)

Almoçámos no Restaurante Por-do-Sol na Fajãzinha, onde fomos brindados com alguns dos pratos típicos das Flores. Aqui nova conversa de fotografia, desta vez com o fotógrafo Italiano Stefano Folgaria, radicado na ilha.

Seguimos para visitar um moinho de água, miradouros do Portal, Lajedo e Craveiro Lopes e finalmente o Poço da Ribeira do Ferreiro, um dos locais mais bonitos onde já estivemos… a enorme parede verde, as cascatas, o espelho de água. Aqui, como se a beleza do local não nos bastasse, estavam dois patos (Negrinhas - Aythya fuligula) que além de nunca as ter visto antes, estas são uma raridade nos Açores. Ainda enquanto brincava, com extremo cuidado, com uma lente de 400mm que me emprestaram, deu para observar a passagem de uma galinha-de-água (Gallinula chloropus), também novidade para mim nos Açores.

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Vista do Miradouro Craveiro Lopes para o Poço da Ribeira do Ferreiro (esq.) Vista do Miradouro do Portal (centro e dir.)

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Cavalinha
- Equisetum telmateia (esq.), Garajau Comum – Sterna Hirundo (centro) e Tentilhão dos Açores - Fringilla coelebs moreletti

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Poço da Ribeira do Ferreiro

No regresso às Lajes paramos novamente no miradouro da Rocha dos Bordões, agora com melhor luz, seguindo para o jantar na casa da nossa enérgica anfitriã florentina, Gabriela Silva, de onde seguimos para o Valzinho para assistir ao concerto de Hang do Kabeção.

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Rocha dos Bordões

2017-06-11

Após um dia bastante longo, uns ainda tiveram vontade para acordar cedo e regressar às lagoas para o nascer do sol, outros ficaram pelos aposentos e eu segui para a Fajã de Lopo Vaz. Embora já tivesse feito este trilho na nossa primeira viagem às Flores, pensava que o inicio do mesmo ficava mais proximo das Lajes, mas os sinais não estavam errados e, como não acordei tão cedo como previsto e como perdi muito tempo em busca (infelizmente em vão) do meu caderno de campo, foi necessário fazer uma grande parte dos quase 9km a correr, pois havia que estar com todos os outros para novo passeio pelas 11h00.

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Farol e Tanque das Lajes (esq.) e Fajã de Lopo Vaz (dir.)

Visitámos a Aldeia da Cuada, parando novamente para mais algumas fotos à Rocha dos Bordões, seguindo para a Fãja Grande (nosso local de pernoita na anterior viagem), onde conhecemos o fotografo  que acompanhou os presidentes da república Mário Soares e Jorge Sampaio e almoçamos em modo de pic-nic, preparado por um grupo de estrangeiros residentes na ilha. Depois de comida e música, houve ainda tempo para visitar a Poça do Bacalhau e a casa do Stefano para ver algumas das suas fotos, antes de regressar às Lajes para a apresentação no auditório do museu.

O jantar de despedida, oferta do município das Lajes, foi no Restaurante Transmontano na Fazenda das Lajes. 

2017-06-12

Foi dia de regressar ao Pico, terminando um fim de semana prolongado, cheio de aventuras e diversão, na companhia de um grupo fantástico. Além das paisagens fantásticas das Flores, ficam algumas amizasdes novas.

Mais uma vez há que agradecer ao Terry Costa e MiratecArts pela organização e por esta oportunidade e a todos os Florentinos que disponibilizaram algum do seu tempo para nos ajudar, acompanhar, partilhar experiencias.