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sábado, 1 de julho de 2017

Pico: Grutas

Foi um primeiro semestre de 2017 recheado de actividades de espeleologia…

Além de várias visitas às já conhecidas Furna de Frei Matias, Furna da Agostinha, Furna da Sapateira e Gruta do Soldado/Soldão quase que duplicámos o número de grutas conhecidas da nossa lista, quer por iniciativa própria, quer respondendo aos eventos criados pelo Parque Natural do Pico, Município das Lajes, Associação Os Montanheiros e Azores Fringe Festival.

Por ocasião da actividade organizada pelo Parque Natural do Pico, no dia 18 de Fevereiro,  visitámos a Furna Nova II. Não fosse apenas o túnel lávico bonito e muito interessante, o caminho que temos de fazer para lá chegar também o é. Relativamente às até então conhecidas, esta gruta apresenta duas características que nunca tínhamos visto antes: existe uma cascata de lava que desce pela entrada da gruta e continua alguns metros no interior de mesma; e o chão apresenta “lama totalmente negra” tratando-se de carvão. A explicação para o primeiro fenómeno deve-se ao facto de a gruta ja existir e posteriormente ter havido nova erupção cuja escoada lávica terá entrado na cavidade já existente e como tal ter havido novo fluxo de lava no seu interior com coloração distinta. O segundo, e sem grandes certezas, poderá ter origem no mesmo facto (uma erupção posterior à que gerou o túnel) pois o negro que se vê pode ser resultante da carbonização da floresta que terá crescido entre os dois eventos eruptivos e sido destruída durante o segundo, e cujos sedimentos se foram depositando com o tempo no fundo da gruta.

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Precisamente um mês depois o Município das Lajes, em parceria com os montanheiros, organizou tambem uma visita a uma gruta aqui na Ribeirinha, Gruta da Ribeira do Fundo. Poucos dias antes soubemos da sua existência, um dia fomos apenas saber a localização da entrada, voltámos uma segunda vez para entrar, mas com pouco equipamento e tempo, por isso avançámos menos de 100 metros e por fim, aproveitando este evento tivemos oportunidade de conhecer grande parte do túnel.

O principal atractivo desta gruta corresponde à enorme estalagmite de lava de praticamente 2 metros que se encontra quase no fundo da mesma, alcançada apenas após alguma escalada e rastejo por zonas de estrangulamento do túnel provocadas por enormes “Lava Balls”. Lava Ball trata-se de um pedaço de lava, já solidificada que se desprende das paredes ou tecto de uma gruta, ainda durante o fluxo de lava e acaba por ser transportada pela corrente, até que encalha gerando normalmente um estrangulamento.

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Mais recentemente, a 17 de Junho de 2017, por ocasião do Azores Fringe Festival foi a vez de conhecermos a Furna Vermelha.

Já sabiamos onde parar o carro mas não onde se entrava, embora a Mónica já tivesse explorado um pouco as redondezas.

Passámos por algumas aberturas não tão fáceis de aceder e como tal, hão de ficar para outro dia com menos gente e mais calma, e entrámos numa grande galeria onde a cor do chão faz jus ao nome da furna. Não avançámos muito no subsolo mas a forte cor vermelha da lava e as suas formas tornam esta gruta bastante interessante, assim como todas as explicações fornecidas pelo nosso guia Paulino Costa. Ficámos no entanto com curiosidade para explorar os restantes troços de túnel.

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Ainda no mesmo dia, aproveitando termos o equipamento no carro e sabendo da existência de mais algumas grutas no caminho de casa, decidimos passar o dia a explora-las por iniciativa própria:

-Furna Nova I

Sabendo da sua proximidade à Furna Nova II fomos no seu encalço, a primeira vez sem sucesso, da segunda encontrámos a entrada mas não tinhamos tempo para explorar, à terceira tentativa a Mónica entrou conhecendo grande parte e finalmente à quarta conseguimos ir juntos e com tempo.

O que se pode dizer desta gruta é que é simplemente fantástica. A diversidade de espaços e formações no seu interior é enorme: temos grandes balcões, muitas estalactites, muitas cores, raizes. Também é relativamente fácil a locomoção no seu interior, principalmente para nós que não nos temos de baixar muito.

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- Gruta Henrique Maciel

O que mais nos impressionou nesta gruta foi a longitude da mesma com um túnel bastante amplo, de secção transversal praticamente constante e piso e paredes muito regulares… nunca tinhamos andado por tanto tempo e tão rápido dentro de uma gruta.

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Não esquecer que a entrada para muitas destas grutas é feita no interior de propriedades privadas e como tal é recomendado solicitar autorização para aceder à gruta.

Chegaram a existir outras actividades organizadas pelas mesmas entidades às quais não nos inscrevemos por já conhecer as grutas, dando assim lugar a outros.

segunda-feira, 21 de março de 2016

Pico… um pouco por todo o lado

Com a participação no Curso de Guias dos Parques Naturais dos Açores, tivemos a oportunidade de fazer 3 visitas de estudo, visitando lugares por nós já conhecidos mas observando-os de uma forma diferente: observando a fauna e flora e passando a identificar bastantes espécies, conhecendo a geologia dos locais, assim como a sua história.

05-03-2016 São Roque – Lajes do Pico – Ponta da Ilha – Planalto Central – São Roque

Durante o Módulo da Biodiversidade fizemos uma grande volta de reconhecimento, desde a cota do mar, até ao Planalto Central. Já tínhamos estado em todos os locais por onde passámos mas nunca com este intuito de identificar plantas… de facto é um mundo diferente… em poucos minutos e em áreas bastante pequenas a quantidade de espécies encontradas, principalmente nativas e endémicas é impressionante. O estado de excitação do nosso formador que com um brilho nos olhos nos debitava os nomes de todas as espécies, era contagiante, sendo apenas dificil acompanhar , escrever, fotografar e memorizar toda a informação.

Tolpis azoricaAngelica lignescens
Tolpis azorica (esq.) e Angelica lignescens (dir.)
Hedera azoricaBellis azorica
Hera – Hedera azorica (esq.) e Margaridas – Bellis azorica (dir.)
Elaphoglossum semicylindricum_1Elaphoglossum semicylindricum_2
Língua de Vaca – Elaphoglossum semicylindricum
Azorina vidaliiDaucus Carota_2
Vidália – Azorina vidalii (esq.) e Salsa Burra – Daucus carota (dir.)
Corema Album
Corema Album_2
Camarinha – Corena album
Huperzia suberectaLotus Azoricus_1Lotus Azoricus_2
Huperzia suberacta (esq.) e Lotus azoricus (centro e dir.)
Plantago coronopusIMG_8838-001
Diabelha - Plantago coronopus (esq.) e Umbigo de freira (dir.)
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myosotis maritima_2
Não me esqueças – Myosotis maritima
Silene Uniflora_1Silene Uniflora_2spergularia azorica
Bremim – Silene uniflora (esq. e centro) e Spergula azorica (dir.)

19-03-2016 São Roque – Lajido – Criação Velha – São Mateus – São Roque

Tivemos direito a nova visita, mas desta vez muito menos dedicada à natureza e mais à história e cultura, nomeadamente a Cultura da Vinha.

Começámos em São Roque vendo fosseis (sim também existem por cá) de troncos de arvores, carbonizados aquando de uma erupção vulcânica, seguindo para  a reserva natural das Furnas de Santo António.

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Fossil

A partir daqui foi quase tudo vinha, currais, rola pipas, relheiras, poços de maré e casas senhoriais, com execepção de algumas curtas paragens para a observação de curiosas formações geologicas como tumuli, crista de pressao e tufos.

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Fogos (dir.) e Solar dos Arriagas (dir.)
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Morro Castelo Branco (esq.) e Adegas (dir.)

20-03-2016 Lajes do Pico – Falha Arrife - Planalto Central – Caminho dos Burros – Lagoa Capitão – Lajes do Pico

Desta vez não só os formadores mas também os formandos (divididos por grupos) fizeram de guias interpretando a paisagem e partilhando conhecimentos.

Começámos o dia na Vila das Lajes, eregida em plana fajã lávica resultante da erupção do Vulcão 405, da qual resultou um crescimeto da ilha. Olhando para terra fácilmente se percebe  a existencia da anterior linha de costa (arriba fóssil).

Seguimos até ao miradouro do Arrife, com vista priveligiada para grande parte da freguesia das Ribeiras, mas também importante pela sua localização, mesmo sobre uma falha, sendo perceptvel a movimentação do terreno ao longo da mesma.

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Vistas Miradouro Arrife

Seguimos para o planalto central, passando pelas lagoas e reserva natural do Caveiro, deixando o autocarro para caminhar um pouco pelo caminho dos burros. Mais uma vez tivemos oportunidade de identificar muitas espécies de flora local, com particular atenção para a erva do capitão, que não tinhamos identificado na última visita.

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Lagoa no topo do Cabeço junto à Lagoa da Rosada
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Espigos de Cedro - Arceuthobium azoricum (esq. e centro) e Huperzia dentata (dir.)
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Urze – Erica azorica (esq.) e Trovisco Macho – Euphorbia stygiana (dir.)
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Língua de Vaca – Elaphoglossum semicylindricum (esq.) Tamujo - Myrsine africana (centro) e Erva do Capitão - Sanicula azorica (dir.)

Por fim, seguimos de autocarro até à lagoa do Capitão, regressando posteriormente às Lajes.

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São Jorge e Graciosa